quarta-feira, 20 de maio de 2015

Lyanna's Farewell



A sensação que estou vivendo no momento é das mais estranhas que já senti. É dessas que a gente acha que nunca vai vivenciar...

É que as coisas vem e vão, né. Tudo em sua hora. E o tempo passa, e a gente nunca vê e nunca se dá conta até aquele momento de olhar pra trás e ficar embasbacado. Bom, falando em tempo e em hora, é chegado o momento de você, meu xodó - e companheira da maior aventura que já vivi - finalmente seguir em frente. Isso mesmo, com outra pessoa. Nunca pensei. Você mais uma vez me surpreendeu e se mostrou com vida própria. E as pessoas acham que você tem um rosto humano esculpido por nenhuma razão aparente...

Escrever isso aqui ainda é inacreditável, parece que vou acordar a qualquer momento de um sonho estranho. E eu digo isso por tudo aquilo que só a gente sabe. Você me acompanhou em coisas inconcebíveis. São muitas memórias. Uma vida inteira vivida em três anos e meio. Diversos vôos e trens, diferentes países e cidades. Caminhadas, histórias... Da Lapa carioca aos muros medievais de Carcassonne, passando pela floresta negra, na Alemanha, e Galway e Gales, com seus dragões e aviões de papelão... São memórias eternas, desde a primeira semana, quando você dormia na mesma cama que eu, lá na Irlanda... Passando pela primeira vez num palco com ao seu lado, caindo de amores pelo encanto nos olhos das pessoas nos vendo pela primeira vez aqui no Brasil, depois de dois anos de trabalho e perrengue para te trazer aqui. Incontáveis estratégias para escaparmos das tripulações aéreas. Muita tensão, mas uma tensão recheada de uma ansiedade gostosa. Fazer música com você para mim é sinônimo de viajar. Com você ganhei meu primeiro dinheirinho tocando na rua. Com você me descobri.

Escrever isso aqui é me despedir de uma irmã e uma melhor amiga. Mas eu prefiro pensar que estaria levando você a um altar, dando o adeus simbólico de um momento que a gente sempre sabe que vai chegar mas se faz de desentendido. A gente faz o que deve - eu tento - e eu acho que isso é o que eu devo fazer agora, por uma série de razões.

Primeira gig.
Eu só sei que no fim do dia seria injusto - um verdadeiro sacrilégio - manter você aqui quando há tanta gente querendo trilhar esse caminho também.Você merece isso, merece ser tocada constantemente, mantendo sua tradição viva por mais centenas de anos, levando suas cordas a estilos cada vez mais inesperados, e fazendo bonito. 

Foi desabafando com alguém que respeito e admiro muito que seu destino ficou claro. Era tão óbvio, né. Parece que eu fui o último a saber. E por isso tudo hoje foi difícil te deixar lá, viu. Mas é isso aí. Vida nova pra gente. Nem você sabe o que te espera à frente, mas sabemos que vai ser mágico.

Eu te busquei em Gales em 2011, pessoalmente; extasiado com a beleza de um instrumento de que já possuía tanta história para contar. Entre esse ano e o ano de 2014, seu reparo nunca havia me impedido de absolutamente nada. Ano passado você chegou a fazer birra por conta da temperatura, e ao reagir à mudança entre o Brasil e a Europa, sua rachadura cedeu. Foi assim que você me levou lá no Sebastian Hilsmann em Kirchzarten. O resultado foi maravilhoso, e o reparo foi permanente. Nossa separação foi decidida ali, também, quando pude encomendar uma nova viela. Hoje o ciclo se completa. Parabéns a nós dois. 

Por você passaram Chris Allen e Sebastian Hilsmann. Juntos também contamos com a ajuda de Laurent Bitaud, em Bourges, na França, e da fera Tobie Miller, na Suíça. Todos eles nos ajudaram e por conta deles hoje a sua história é também uma pequena parte dessas pessoas muito especiais. E mais importante ainda, parte fundamental da minha história.

É uma honra vê-la seguir esse caminho. E apesar do aperto no coração, a felicidade e a certeza de que o certo foi feito prevalecem.

Obrigado pelas viagens.
Obrigado pelas lições inesquecíveis.
Obrigado pela música.

E obrigado pela jornada que apenas começou.
Foi uma honra.


Vielisticamente,





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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Sivrit


Sivrit ;-)
Eu.
"Dia 4/04/2015

Um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar.

O dito popular nos remete ao quão peculiares certas situações são; e como elas ~nunca~ acontecem duas vezes com a mesma pessoa.

Ainda agora, enquanto me arrumava para vir à estação, quis chorar. Meia-noite no Rio, cinco da manhã em Munique. Frio, chuva, frio, frio, frio. Meus amigos todos estavam numa festinha, e falar com eles no facetime mexeu comigo mais que o esperado, afinal cheguei aqui ontem. E vou embora amanhã. A cada viagem me descubro mais vielista, mas também mais carioca.

Alpes: de Zurique à Munique
Dezesseis minutos até o ônibus chegar e me levar até o metrô. Mais uns vinte minutos e voilà, estava eu na Hauahueahueahfptbanhoff (nomes em alemão lol)... E agora estou aqui acompanhado de Siegfried (ou Sivrit) no kindle, aguardando o trem partir. De Munique, vou até Karlsruhe. De lá, parto à Freiburg, de onde pego um trem menor até Kirchzarten. São quase seis horas de viagem, sem contar as horas que levei do Rio de Janeiro à São Paulo, de São Paulo à Zurique e de Zurique à Munique. E os 18 meses de quase absoluta economia e planejamento. E o estresse, e os momentos em que quis desistir porque o euro é muito caro, porque cada hora eu invento uma história nova, porque Henrique você não tem mais o que fazer? Pessoas não fazem isso.

Às vezes eu acho que tudo isso aqui é uma grande loucura - e que mais loucas ainda são as pessoas ao meu redor, que me apoiam! Mas na maioria das vezes, não: a gente luta pelo que ama, por aquilo que move tudo dentro de nós. Não sei se vocês já se sentiram assim em relação a alguma coisa, mas é algo incontrolável. Eu poderia estar fazendo mil outras coisas. Me ferrando para comprar um carrinho, para pagar um aluguel maior que meu bolso ou sei lá o que, mas escolhi isso. De novo.

Há alguns anos algo incomum ocorreu em Merthyr Tyddfill, em Gales. E hoje, esse mesmo algo está ocorrendo aqui na Alemanha. O raio vai cair em Kirchzarten, e vocês querem saber de uma coisa? Não me arrependo.

Nossa vida é muito cômoda. Tudo, T U D O, pode ser pedido online hoje em dia. Você pode receber qualquer coisa na porta de sua casa, sem dar um passo fora de sua porta. De sua cidade. De seu continente. Longe de mim dizer que vir até aqui foi um grande sacrifício, mas ficar em casa esperando suas coisas pode gerar obesidade e depressão. -q/

Junte essa desculpa deliciosamente esfarrapada às taxas às quais instrumentos importados estão sujeitos, adicione os riscos de uma viela ser despedaçada em um vôo e ta-dá! Nasce uma aventura com direito a pessoas que só falam alemão e riem de seu chapéu anti-frio, muffins de blueberry, pessoas aleatórias que desempenham um papel descomunalmente fundamental na sua vida e claro, raios que caem quantas vezes quiserem, onde quiserem. 

E vielas com cavalete ajustável, porque já que é pra sonhar, bora sonhar direito. ;)"




*Sivrit foi assim nomeado por conta do herói do poema épico germânico, Das Nibelungenlied.

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Kirchzarten é a cidade onde encontramos o atelier do meu novo luthier, Sebastian Hilsmann e suas vielas apaixonantes (link aqui). Para saberem como cheguei até ele e sua viela Largo, cliquem aqui,

Obrigado aos meus pais pelo apoio, sempre. Aos meus amigos do Café Irlanda por aturarem meus bordões; e ao meu querido namorado, sem o qual eu já teria desistido dessa aventura. Ao Sebastian e sua incansável paciência, um forte abraço. E um beijo na testa da querida Stefanie Nagel, que me acolheu em sua linda casa. Sem vocês, esse instrumento e eu jamais teríamos dado início à nossa história.

Vielisticamente,


terça-feira, 31 de março de 2015

Viela no Brasil entrevista: Anna Murphy (Eluveitie)


Que a viela de roda tem ganhado popularidade de forma assustadoramente rápida, não surpreende mais ninguém. Aqui no Brasil, vimos o número de vielistas crescer absurdamente em menos de três anos (éramos dois quando trouxe a minha, somos 15 agora?). Independente dos nossos músicos e de suas diferentes formas de chegar ao instrumento, um dos maiores - se não o maior - canal difusor da viela de roda aqui no Brasil e no mundo atualmente é a banda de folk metal Eluveitie.

Mesclando instrumentos "típicos" do metal com instrumentos tradicionais (gaitas de fole, flautas, bandola, violino e claro, viela de roda) a banda tem sempre um fundo histórico por trás de seus trabalhos, fazendo referências a entidades e personalidades históricas do mundo celta - principalmente no que diz respeito aos Helvetii, tribo gaulesa que ocupava toda a região que hoje é a Suíça durante o império Romano, uma tribo cuja história e língua são recriadas e exploradas em letras da própria banda através de muita pesquisa e originalidade. Para a felicidade de muitos, o Eluveitie passará pelo Brasil nesse mês que se inicia, tocando dia 11 de abril em São Paulo, dia 12 no Teatro Odisséia, aqui no Rio de Janeiro, dia 13 em Porto Alegre e dia 14 em Curitiba.

E hoje, com enorme prazer, meu blog celebra a vinda da banda trazendo para vocês uma entrevista exclusiva com Anna Murphy, vocalista e vielista de roda do Eluveitie. Anna Murphy, que também trabalha como engenheira de som nos estúdios SoundFarm, em Lucerna, encontra tempo em sua agenda para lidar paralelamente com outros projetos como Lethe Project, Fräkmündt e claro, o seu projeto solo, que é fantástico. 

Essa entrevista não teria acontecido se não fosse pela sempre muito gentil Niha Cartena, webmiss e fundadora do fã clube do Eluveitie, que além possuir um blog maneiríssimo (clique aqui), também possibilitou essa oportunidade maravilhosa. Obrigado pelo apoio e pela força. Fica aqui meu forte abraço. Fica também um beijo enorme à Nayane Teixeira (blog vielístico aqui), que tornou esse contato possível.

Enjoy. ;)

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                                                      Eluveitie - Omnos (acústico)

• Vielistas normalmente tocam mais de um instrumento até o momento em que são “abduzidos”
por esse instrumento fascinante. O que te atraiu mais no instrumento, o visual ou apenas o som?

- Eu vi a viela de roda pela primeira vez quando fui assistir a um show do Faun (banda folk alemã); 
eu era muito jovem na época, tinha uns 15 anos, e fui com minha mãe. Assim que eu ouvi as primeiras notas da viela de roda eu disse a ela “é isso que eu quero tocar!”, então podemos dizer que foi principalmente o som – mas a coisa toda tem um visual muito cool.


• Quando eu comecei a tocar viela de roda, as pessoas me olhavam como se eu fosse um alien. Isso ocorreu com você em algum nível, ou o fato de você viver na Europa tornou isso algo mais natural?

- Eu acho que há mais pessoas que conhecem o instrumento aqui, mas a maioria delas é  envolvida com música antiga ou folk. Quase todos os músicos de outros estilos não tem a menor noção do que é uma viela de roda e geralmente ficam confusos ao ouvirem o instrumento pela primeira vez.


• O que é pior: trocar o algodão ou trocar as cordas? 

- Definitivamente as cordas!

• Enquanto vielista, sei  que lidar com o instrumento no palco pode ser bem trabalhoso e delicado. Você já passou por muitos problemas nesse sentido? Como os resolveu?

- Basicamente o tempo todo.  ;-)  Eu diria que oito anos tocando viela de roda numa banda de metal que  está constantemente em turnê foi desafiador. Especialmente quando eu tinha apenas uma viela,  porque se alguma coisa desse errado eu não teria onde leva-la para um reparo, já que luthiers de vielas de roda não existem em todos os lugares. 

Durante esses anos eu passei por milhares de problemas, seja deixando-a cair ou até mesmo a coisa toda simplesmente quebrar sem nenhuma razão aparente. Por sorte isso mudou, já que agora tenho mais de um instrumento e toco em uma viela elétrica há mais ou menos um ano. É por isso também que eu normalmente uso apenas as cordas cantoras ao vivo: do contrário eu teria que reajustar o trompette e os bordões constantemente, alterando a tensão das cordas, o que não leva apenas alguns segundos, infelizmente...


• Que modelo você tem usado e o que o torna especial?
Anna e seu Accento, com direito a preamp.

Meu instrumento principal para tocar ao vivo é o “Accento”, do Sebastian Hilsmann: eu amo esse instrumento. É confiável, robusto e soa incrível pelo fato de o som não depender do corpo do instrumento para ser ouvido. Para tocar acusticamente e para gravações, eu uso o “Largo”, também do Sebastian Hilsmann. O som é rico, reforçado por várias cordas simpáticas.


• Você tem uma marca favorite de cordas?

- Sim, eu gosto muito da Savarez. 


• Você pode mencionar um dos momentos mais especiais que você viveu com sua viela de roda?

- Basicamente cada vez que a tripulação não me enche o saco por eu leva-la como bagagem de mão. 


• Você já escreveu alguma peça instrumental na viela de roda ou você geralmente compõe em 
outros instrumentos?

- Sim, já escrevi algumas! Um exemplo é a música “Sacrapos”, do Eluveitie. 


•  Uma mensagem para os futuros vielistas brasileiros. 

- “Rock those hurdies!! ;)"

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Para saber mais sobre Anna e sua banda:   https://www.eluveitie.ch

Vielisticamente,


segunda-feira, 16 de março de 2015

EP Café Irlanda

Foto pelo querido amigo Pedro Costa - Café Irlanda no Teatro Rival 2015
A primeira vez em que encostei em um violino eu tinha 14 anos. Por um lado, a desvantagem: já não era mais tão criança, por outro, a verdade é que eu já possuía uma certa consciência musical; e uma tendência clara a sonoridades mais diferentes, a uma pegada mais folk.

Gravando Sharon's Song com grandes amigos
Eu ouvia muita coisa que formou meu caráter musical, que me moldou de uma forma estranhamente positiva. Dentre essas coisas, havia a música galega, que utilizava a viela de roda. Meu contato com a viela, naquela época, se resumia ao som, e no fim das contas a única forma de atingir (ou chegar o mais próximo possível daquelas sonoridades) seria através do violino, instrumento que fez toda a diferença; e me salvou de tantas coisas que nem cabem aqui. Sou eternamente grato ao violino e a tudo que ele me proporcionou e ainda proporciona, mas o ponto alto para mim sempre foi o fato de ele ter me levado a formar o Café Irlanda, que em seu início me deu uma energia imensurável para lutar por dois anos até conseguir minha viela de roda.

No veleiro Cisne Branco
Pegar a viela, tocar a viela e traze-la para casa foi a melhor experiência que já vivi, mesmo com a estranha surpresa de ela não ter funcionado na hora H: a viela de roda não tem e provavelmente nunca terá N A D A a ver com música irlandesa, a não ser seus bordões, vez ou outra em ré. Ao perceber que para mim isso não diminuía em nada a magia do instrumento, me dei conta do quão preso a ele eu estava. E aos poucos eu vi que a aparente distância entre ela e a música irlandesa não me impedia de toca-la, de conhecer outras músicas. E pude ver que essa distancia não existia quando o assunto era música brasileira. E o resto é uma estrada sem fim. Venho seguindo com calma, fazendo o que consigo e desbravando novos mundos musicais; e a verdade é que eu dei uma boa volta ao mundo e terminei aqui no Brasil, gravando pela primeira vez minha voz tímida, acompanhada pelo meu violino e claro, pela minha viela de roda.  Algo que nunca imaginei que faria, por mais que eu quisesse. 

Gravando
A canção que escolhi saiu na viela em alguns minutos, quase como se tivesse sido escrita para o instrumento. Eu já a amava há anos, e agora a amo ainda mais. A escolha veio porque a interpretava como uma bela canção de amor, com uma escolha de palavras que me remete ao misticismo, à espera de algo mágico e ao amor. Essa música é um marco, uma porta e uma chave. E eu agradeço a todos pelo apoio, direto ou indireto.


Você pode ouvir o resultado dessa história toda aqui.

O lançamento deste EP virtual do Café Irlanda dá início a um processo do qual eu jamais sairei, e eu espero que essa música toque vocês tanto quanto a mim.


Vielisticamente,

;-)


2015 e suas novidades

E é com muito prazer que depois de um longo e merecido descanso, eu volto ao blog para dar início a este que já é um ano memorável.

Nosso pequeno mundo à manivela abre 2015 com alguns lançamentos muito importantes para a cena brasileira, começando com minha querida amiga e artista de quem sou fã, Raine Holtz.



Raine Holtz está lançando seu novo álbum, Confluence: The rivers of Sorrow, que vem atingindo metas (e o sonho!) de ser financiado através do site kickante, possibilitando um lançamento físico para este projeto tão lindo e tão rico, cheio de viela de roda e outros instrumentos apaixonantes. Este álbum representa tanto, em tantos aspectos... É, antes de mais nada, o sucesso e a visibilidade de uma mulher trans, algo raro de se ver dentro e fora de nosso país. É a música independente mostrando seu poder. E é o passeio pelo mundo fantástico que a Raine cria em seus sons, e a viela de roda florescendo através de uma artista brasileira. Orgulho.

Sobre seu novo trabalho, o primeiro lançado enquanto uma mulher que sabe e ama quem é, Raine nos diz:

“Confluence: The Rivers of Sorrow” é, sob este contexto, meu primeiro álbum, e eu ouso dizer que é a melhor coisa que eu já fiz. Ele ultrapassa “Schadenfreude” em beleza e refinamento; “Santuário” em sabedoria e clareza; “Deconstruct the Debris” em força e propósito, e “Sail, Schooner” em estória e significado. É o epítome da minha auto-descoberta, minha honestidade e coragem; e ainda sim é tão delicado e confortante quanto os últimos momentos de pura lucidez antes da morte. É a jornada de um espírito desde suas origens até sua vinda à carne, e subsequente partida. É a primeira coisa que faz sentido para mim."

Raine tem tocado também por Curitiba, e eu deixo aqui um vídeo de sua última apresentação, dia 13 de março.

Mais informações:

http://www.throughwaves.com
http://www.kickante.com.br/confluence


Vielisticamente,

;-)

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

2014 - Um gatilho musical


2014 foi um ano que começou seriamente épico, tirando o me fôlego; mas terminou tranquilo como uma brisa. Isso é lindo.

Das ruelas da Basilea em meio as aulas com Tobie Miller às ruas da Lapa, passando pela serra de Petrópolis, pelo terreirão do samba - até por Curitiba, no maravilhoso encontro nacional de vielas de roda - e terminando em Niterói, no último show do Café Irlanda para 2014, eu e Lyanna tivemos um ano cheio. Não necessariamente cheio de desafios, mas de crescimento e difusão de nosso trabalho. Esse post é uma pequena retrospectiva dos momentos que marcaram meu ano ~vielístico~. E deixo aqui um forte abraço a cada um que fez parte dele.


Comecei 2014 como o aluno que sempre vou ser, amando descobrir tudo que posso sobre a viela de roda, tentando no meu próprio tempo avançar nesse instrumento tão instigante e intrigante. Essa paixão que só aumenta só foi mais alimentada pela Tobie e suas aulas sensacionais, pelos museus com aqueles tesouros. E pela visita inesperada ao fantástico atelier do Sebastian Hilsmann, em Kirchzarten, na Alemanha. Não me parecia que 2014 fosse reservar muito mais que isso para minha alma vieleira, mas... Ledo engano.

Os shows para o Café Irlanda foram vários. Casamentos, pubs, festas... Sempre com a viela perto de mim, sempre aprendendo a afinar cada vez mais rápido antes de uma música. Eu diria que esse foi o ano de aprender a lidar com afinação ao vivo, um verdadeiro desafio para alguém que tem um instrumento tão tradicional feito o meu. Aprendi a me portar melhor num palco com minha viela; e o melhor: aprendi a cantar. Poder tocar viela e cantar é uma das coisas mais lindas que pude fazer, é um sonho distante que chegou. Saber me portar num palco nessas condições é o tipo de coisa que a gente aprende uma vez só na vida, por isso sou grato.

Bom, mais alguns meses à frente e a bomba cai: Matthias Loibner passaria por Brasília e Curitiba esbanjando simpatia e musicalidade com sua viela de roda. Preso pelo trabalho no Rio, só pude curtir e ficar feliz pelos meus companheiros de roda e seus dias inesquecíveis ao lado desse verdadeiro mestre.

Tamanho foi o gás que essa visita inesperada deu em nossa inspiração que pouquíssimo tempo depois nosso filho brasileiro nasceu: o I Encontro Nacional de Vielas de Roda rolou em Curitiba e a maior parte de nós compareceu e fez aquele fim de semana de novembro entrar para a história. Conheci pessoas maravilhosas que acabaram de realizar o sonho de ter uma viela, de tocar com outras pessoas. Pessoas que acabaram de começar novos projetos, e pessoas que apenas queriam ver os instrumentos de perto. Esse foi provavelmente o highlight do nosso ano; e eu não preciso entrar em detalhes a respeito do que sinto em relação àquele fim de semana.

Rabequeiros de Roda

Mondial de la Bière - Terreirão do Samba - RJ
Tudo passou muito rápido, na verdade. Por isso essa semana que passou soou como outra qualquer - não parece o final do ano. E fazer esse último show com a minha banda no novo Bar do Turco, em Itaipu, foi engraçado. Digo isso porque foi um show totalmente diferente do que estamos acostumados. Um público um pouco mais velho, sentadinho, todos compenetrados, como se estivessem num concerto. Geralmente não gosto disso, mas tivemos uma atenção diferente; e a viela, como sempre, 100% de atenção, a ponto de eu ficar tão nervoso quanto a primeira vez em que a toquei ao vivo. Shows com a viela são geralmente complicados; basta eu segura-la para que um certo silêncio corra pela sala e todos me ouçam com curiosidade. Eu fico TENSO. Fora que leva-la comigo é sempre um perrengue, ainda mais nessa época do ano. Como o instrumento é uma grande caixa abaulada de madeira e cordas, a influência da temperatura pode ser devastadora e me deixar com a cara no chão na hora começar a tocar, perdendo alguns minutos afinando. No fim, os sorrisos. E todas as perguntas que eu já sei responder até em libras... E tudo vale a pena. =)

Meu primeiro aluno.
Após tanta emoção, termino esse ano tendo uma vivência muito importante para minha trajetória e meus planos: seguindo a ideia da querida amiga Raine Holtz, estou contemplando a ideia de começar a dar aulas de viela de roda em 2015. Nada muito elaborado, apenas o básico, com o intuito de difundir o interesse pelo instrumento e claro, traçar uma carreira mais concreta com o mesmo. Tirar a viela de roda dessa névoa de mistério, tira-la um pouco desse pedestal inalcançável. Já tive minhas primeiras experiências agora pelo fim do ano, e confesso que gostei muito. Até porque ensinando a gente aprende; e aprendendo a gente ensina melhor.

A galera se divertindo,
O último fim de semana do ano, que chegou de mansinho, me levou a um delicioso pique-nique tolkiano no aterro do Flamengo, onde eu e Lyanna pudemos entreter um pouco os meus amigos leitores elfos e hobbits. A viela foi um sucesso, do jeito que merece ser; e meu ano, por sua vez, se fecha com chave de ouro e a promessa de muitas revoluções em 2015. Que girem as rodas e venham os novos vielistas, que a semente do nosso instrumento finalmente floresça nesse canto do mundo, sempre tão fértil musicalmente.

Obrigado a todos que fizeram parte do meu 2014. Vamos quebrar tudo em 2015, que essa roda é infinita. ;-)


Vielisticamente,

Primeiro material em português totalmente
voltado para viela de roda. Saiu na semana do nosso encontro.


quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Game of Thrones na Viela de Roda



Mateus e Francisco Sokolowski e sua versão de Game of Thrones postada essa semana no Facebook.
Já é o segundo cover vielístico dessa música aqui em nossas terras, então estamos bem! =D Para quem não lembra, minha banda também toca esse cover, sempre uma sensação em shows.




Parabéns aos rapazes pelo arranjo, tão bonito.





Vielisticamente,