quarta-feira, 2 de maio de 2012

No Brasil I - Música Antiga da UFF e a Symphonia


Antes de prosseguir com minha história em relação à viela de roda, acho justo inaugurar a série de posts dedicados ao instrumento no Brasil. Estes posts não serão muitos, já que nosso querido instrumento não é popular por aqui (aliás, acho que até na França, onde ele é relativamente popular, ele não o é de verdade. risos).

É importante lembrar que aqui no Brasil, bem como em outros lugares, o que vemos não é exatamente a viela de roda como a conhecemos hoje, mas sim sua antecessora, a symphonie ou symphonia. Seguindo a história, a symphonia surge como uma evolução mais prática e portátil que o organistrum, que era bem maior, ao ponto de serem necessárias duas pessoas para que fosse tocado - uma na manivela e outra nas teclas. Estas, por sinal, se encontravam na parte superior da caixa, ao passo que na symphonia, na maioria dos registros, ficam embaixo.

Symphonia feita por Chris Allen
A symphonia é minimamente mais visível e popular que a viela de roda porque é de suma importância para todo e qualquer grupo de música antiga. Vale lembrar que apesar de estes grupos trabalharem em cima de suposições (muito bem embasadas, é claro, o que torna o trabalho de reconstituição um tanto relativo),  a symphonia é, sem dúvidas, fundamental para eles.

Além de ser utilizada em peças puramente instrumentais, ela também serve muitas vezes apenas de bordão ou cama para uma única linha melódica cantada ou tocada. De certa forma, seu uso neste tipo de música é um tanto limitado, já que sua extensão é menor e ela não possui o trompette, que é um elemento rítmico muito rico para a viela de roda (mais sobre isso depois). A simplicidade da symphonia (e das vielas mais antigas, diga-se de passagem), contudo, não torna o seu estilo musical menos rico ou interessante.

Aqui no Brasil, temos como portador da symphoniaMúsica Antiga da UFF, em que Virgínia Van der Linder fica responsável pelo instrumento. O grupo, que já existe há trinta anos e ainda se encontra ativo, já mora em meu coração há um bom tempo, já que a tia de um de meus melhores amigos (a harpista Sonia Wegenast) faz parte de sua história. 

Um dos mais recentes projetos do conjunto trabalha com os laços que unem a música antiga a nossa música nordestina (Medievo-Nordeste - Cantigas e Romances), ligação essa muito feliz, já que o repertório nordestino é extremamente rico em todos os sentidos.

O interessante no fato de este instrumento ainda existir (mesmo que reconstituído) é que ele serve muito bem para aqueles que pretendem entrar aos poucos no mundo da viela de roda. É mais simples de se segurar, de tocar e é ótimo para nos adaptarmos ao mecanismo-base da viela.


Podemos dizer que, ao menos por hora, o Brasil não possui nenhum luthier que trabalhe com este instrumento. O mais próximo que temos, no caso, é o Marcelo Morillo, na Argentina. Além de integrar o Conjunto Languedoc, Marcelo também trabalha como luthier. Confesso que já tive a oportunidade de tocar uma de suas symphonias e não fiquei muito satisfeito - o que não impede ninguém, de modo algum, de tentar começar por um de seus instrumentos.

Não trabalhando com vielas, mas pelo menos trabalhando no Brasil, temos o Caviúna, um luthier de Minas Gerais que trabalha com uma série de outros instrumentos medievais e étnicos.

Já é um começo, certo? ;-)


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